Cancioneiro Geral

Falar na literatura do século XV é não apenas referir o Cancioneiro Geral, onde Garcia de Resende faz a compilação (e colabora) da produção poética do século XV, mas sobretudo analisar e avaliar a lírica e a sátira, que adquirem uma nova expressão.

Se nos reportarmos à constituição do Cancioneiro, convém notar que Garcia de Resende, procurou, como diz no Prólogo, reunir tudo o que possa testemunhar a vida, os costumes e a cultura da sociedade portuguesa da época, bem como estimular o gosto de escrever e "trazer à memória" os feitos dos portugueses, de que, por exemplo, Camões se há-de encarregar um dia mais tarde. Reunindo as mais variadas composições, dos mais diversos autores, e, pese embora a ausência de valor artístico de muitas que o tempo fez esquecer, o Cancioneiro é uma fonte importante para conhecermos a "arte de trovar" dos serões da corte, o trabalho e o lazer, os objectivos e os interesses dos cortesãos que viveram na época dos Descobrimentos. Os autores presentes nesta colectânea são 286 (29 castelhanos), com uma produção de cerca de mil composições, cuja temática vai da poesia lírica-amorosa à sátira, sem esquecer a poesia histórica, épica, dramática, moralizante, alegórica, elegíaca e didáctica.

O Cancioneiro contribuiu para um dissecar mais analítico do sentimento, sem o qual a grande poesia do século XVI não seria possível, ele funciona como repertório de uma tradição que os séculos seguintes não alterarão substancialmente, quer como traço de mentalidade, quer no seu aproveitamento literário.