António Nobre

Na praia lá da Boa Nova, um dia

Narcisista, só se vê a si próprio. Passado/Presente. Infância.

Bem passado = infância = poder para sonhar, domínio do mundo para ele próprio = Eu como centro do mundo.

Mal presente = desmantelamento do sonho, profundo negativismo perante o real, perante o presente. O poeta sente-se só e a realidade só lhe inspira tédio, melancolia.

Íamos sós pela floresta amiga

Panteísmo, solidão partilhada, noite, lua, sacralização da lua. A noite possibilita o sonho, o divagar, o despertar da imaginação. A utilização do diminutivo é trazer as coisas para a nossa dimensão.

Da Influência da Lua

Espírito simbolista. O poeta exalta a noite, o pôr do sol, o Outono e encontramos mais uma vez a reiteração do luar. Outono - personificação da Natureza, Panteísmo. Poema neo-romântico - Natureza escura, morte próxima, frio, medo, procura da inspiração que nasce da lua, do outro lado oculto que está para além de… A aproximação da morte inspira o poeta levando a um depauperamento das coisas. Há um certo misticismo presente. Os bardos são os antepassados dos jograis. A natureza comunga dos sentimentos do poeta.

D. Enguiço

Autobiográfico. Boa caracterização de si próprio. Nascimento maldito, desgraçado desde o berço, mais valia não ter nascido. A desgraça persegue-o. Caiu na melancolia. Negativismo e cepticismo total em relação a todos os actos da sua vida. Tem a mania da perseguição, ri de si próprio. Egocêntrico. O mundo inteiro é ele próprio, não conhece fronteiras do eu, é um narcisista e um permanente insatisfeito.

Soneto 2

Diferença de Garrett, este com vontade de viver, António Nobre não, não quer saber da humanidade para nada, não se preocupa nada com os outros. A realidade existe toda em função de si próprio. A natureza que ele canta é a que conhece por ter vivido lá durante muito tempo. Tem um carácter mórbido, doentio e a sua poesia é dominada pela obsessão da morte. Ele chora permanentemente uma infância perdida ou um tempo mítico em que se projecta como centro dos outros, o que leva a um isolamento, é um círculo vicioso. O passado mítico que cria é uma evasão necessária do presente, a sublimação da angústia é a ilusão. O sofrimento é dominante, é o pressentimento de um destino trágico, é a referência à infância como um castelo de sonho, o presente já só pode provocar a angústia, o tédio e a melancolia. A 1ª. quadra revela um pouco a exaltação de si próprio. É um destino excepcional, algúem superior aos outros. É-lhe indiferente a forma de governo, Portugal é uma desgraça, tem consciência de que é diferente dos avós. Há um sentimento de isolamento que implica uma visão um pouco aristocrática da sociedade porque o que importa é o indivíduo e não o colectivo, e aí o poeta isola-se e deixa as coisas andarem.

Soneto 4

Como evasão, como sublimação, o mal estar provocado pelas ruínas do seu lar. O tempo da infância, o presente como o tempo da descrença e do cepticismo total. O lar é o seu próprio inteiror. Ele tem uma personalidade fragmentada, destruída, o seu perdido lar é o da infância, é o seu universo infantil. A inspiração que nasce do crepúsculo, o sol ao cair faz com que se crie uma auréola no mar, sempre o luar. As virgens representam a pureza da infância, ele está desvitalizado, perdeu a alma e a vida, por isso quer um canto que lhe volte a dar essa vida perdida. Ele fala assim do seu próprio canto.

O Desejado

A esperança virá de noite, os olhos são verdes de esperança. A Pátria está de tal modo corrupta, vil, medíocre, que o salvador da Pátria tem que ser forçosamente vilipendiado. A infância do sonho, da ilusão, da esperança, só ele podia criar um Portugal novo.