Almeida Garret: Viagens na Minha Terra

O Contexto Histórico

A 1ª. metade do séc. XIX

O Título

  1. O pluralismo do substantivo "Viagens":
    • A coexistência de múltiplas viagens:
      • A viagem real de Lisboa a Santarém;
      • A viagem sentimental: a história de Joaninha;
      • As viagens imaginárias:
        • ao passado do narrador;
        • reflexões críticas ao contexto histórico.
  2. O determinante possessivo "minha":
    • O sentimento de posse;
    • A relação de intimidade;
    • O carácter subjectivo do discurso;
    • O estatuto do narrador: autodiegético.
  3. O substantivo "terra":
    • A ligação telúrica do autor à Pátria;
    • O nacionalismo.

A viagem enquanto concretização de um objectivo

Viagem

Viajar versus Sentir

Cap. I

Crónica (de chronos = tempo): relato de acontecimentos que é feito segundo uma ordem cronológica.

Viagens na Minha Terra

Viagem feita pelo autor de Lisboa a Santarém e regresso a Lisboa.

Intenção:

A marcha do progresso social

EU narrador: Pensar - reflexões de carácter histórico, político, moral, social e filosófico.

Mundo interior: Sentir - tristeza, mágoa, espanto e indignação.

Mundo exterior: Ver - paisagem (Charneca,Vale de Santarém, Vilas, Monumentos,etc.); Ouvir - a História de Joaninha.

Reflexão e análise real: A marcha do progresso social de Portugal

Antigo Regime Novo Regime
Absolutismo Liberalismo
D. Quixote Sancho
(Frade) (Barão)

Guerra Civil: A Marcha do Progresso Social

No domínio sócio-político:

No âmbito da história: a perversão do gosto artístico na arquitectura portuguesa dá origem:

Cap. II, XIII

A Tese Garrettiana: A Concepção Dialéctica da História

Consequências

Cap. III e V

O Estatuto do Narrador

Perspectivas:

A Comunicação Narrativa

A relação dialógica narrador/narratário:

A Caracterização do Escritor Romântico:

A crítica à falta de originalidade, talento e cultura;

A atitude plagiadora em relação aos mestres da literatura estrangeira.

A obra e a Estrutura:

A literatura romântica enquanto expressão incoerente de uma sociedade materialista:

A literatura "hipócrita": despropositadamente, excessivamente, absurdamente espiritualista.

A Novela Sentimental.

Cap. XI a XXV

I. Acção

1.ª Sequência:

Cap. XXXII a XXXV

2.ª Sequência:

3.ª Sequência:

Desfecho Trágico:

II. Espaço

Vale de Santarém Mistério
Aberto / Fechado Hospital Revelação
Exterior / Interior Convento Calma
Amplo / Reduzido Cela Emotividade

Tragédia

Conclusão: O espaço é o elemento condicionador da Tragédia.

III. Tempo

1832-1834

Analepses, Acção (recuos no tempo).

Antecedentes da acção

Caracterização das personagens

Joaninha
Cap. XII
cor

harmonia

tom
16 anos
branca
rosto sereno
nariz aquilino
boca pequena e delgada
cabelos quase pretos
sobrancelhas quase pretas
olhos verdes-verdes
vestido azul escuro
pé breve e estreito
perna admirável
ideal e espiritualíssima figura
serena
pura
feliz
protótipo da mulher-anjo
Francisca
Cap. XI
velhinha
cega
martirizada
vítima do destino
paciente
resignada
"penélope"
autómato
protótipo da vítima
Carlos
Cap. XX
estatura mediana

bela organização da alma anulada
30 anos
corpo delgado
cabelos pretos
testa alta
olhos pardos
peito largo e forte
franco
leal
generoso
fácil no perdão
fácil na ira
dúvida
incerteza
vaidade
mentira
sentimental
poeta
descrente
acomodado
barão
protótipo do homem social
D. Dinis Dinis de Atayde

Frei Dinis
Corregedor
vida mundana
destruidor da família do Vale
encarnação do destino

pálido
enfiado
descorado
amarelo
atormentado

inflexível
austero
rígido
extraordinário
protótipo do mal

protótipo do espiritualista

O papel desempenhado pelas personagens na tragédia familiar

D. Francisca

Modo de expiação do pecado cometido: auto-punição.

Joaninha

Modo de expiação (por ser filha do pecado): a Morte.

Frei Dinis

Modo de expiação do pecado praticado: torna-se Frade.

Carlos

Modo de expiação do pecado praticado: torna-se Barão.

Carlos, representa, de certo modo, o auto-retrato do autor - Almeida Garrett:

Características Românticas

A. Nível Temático

  1. O retrato de Carlos como herói romântico
    • A sobreposição do sentimento à razão;
    • A incapacidade de resolução dos problemas;
    • A atitude narcísica na manifestação de sentimentos;
    • A insegurança, o conflito psicológico;
    • A incapacidade de realização amorosa.
  2. Joaninha o ideal feminino romântico
    • A mulher-anjo;
    • Vivência intensa do amor;
    • Entrega total à paixão;
    • A sobreposição dos sentimentos à razão;
    • A fragilidade física e psicológica;
    • A pureza, a ingenuidade;
    • O aniquilamento físico e psicológico:
      • A loucura;
      • A morte.
  3. A concepção romântica do amor
    • A impossibilidade de realização de um amor sublime e puro:
      • ex: Carlos/Georgina; Carlos/Joaninha.
  4. A ideologia de Rousseau
    • A recuperação do mito do "bom selvagem";
    • A nostalgia do paraíso perdido.
  5. A temática da Natureza
    • O amor pelas coisas da terra.
  6. A contextualização histórica da novela
    • O liberalismo.
  7. A crónica de viagem
    • Com carácter literário.
  8. Defesa do patriotismo
  9. A concepção do escritor romântico
    • O homem culto, erudito, detentor e manipulador dos conhecimentos que pretende instruir os leitores.

B. Nível Formal e Estrutural

  1. Linguagem corrente, por vezes familiar;
  2. Estilo coloquial;
  3. Teatralidade - ao nível da novela;
  4. Liberdade na ordenação da narrativa - o seu carácter digressivo.

O Anti-Romantismo: Apreciação Crítica ao Romantismo

Cap. V

Cap. III

Conclusão

Almeida Garrett é um romântico, embora esteja consciente do estado da literatura romântica do seu tempo.

Linguagem e Estilo

Uso de termos populares e pitorescos "A ciência deste século é uma grandessíssima tola"
"o Dante (…) deu catanada que se regalou…"
"o pai Anquises e outros barbaças clássicos"
Uso de Estrangeirismos fashionável, élancée, demi-jour, boulevard, coquette, flartar
Criação de Neologismos regata
esquissa
macadame
Frases longas e harmoniosas "O Vale de Santarém é um destes lugares privilegiados pela natureza, sítios amenos e deleitosos em que as plantas, o ar, a situação, tudo está numa harmonia suavíssima e perfeita…"
Frases curtas traduzindo emoções "Interessou-me aquela janela. Quem terá o bom gosto e a fortuna de morar ali? Parei e pus-me a namorar a janela. Encantava-me, tinha-me ali como um feitiço."
Parágrafos cheios de pausas, de reticências, etc. "Pareceu-me entrever uma cortina branca… e um vulto por detrás… Imaginação decerto! Se o vulto fosse feminino!… era completo o romance."
Pontuação com função emotiva "Um vulto feminino que viesse sentar-se àquele balcão - vestido branco - oh! branco por força… a fronte descaída sobre a mão esquerda, o braço direito pendente, os olhos alçados…"
Utilização de construções sintácticas defeituosas "Mas a água ali é beber quartãs"
"Já me não importa guardar segredo"
"… e recorta a gente (…) as figuras que precisa"
Adjectivação carregada de novos sentidos metafóricos "logração grande e gorda"
"vida maçuda e grossa"
"literatura cava e funda"
"o ponderoso velador rolou pesado e baço pelo pavimento"
Personificações "o rodar grave mas pressuroso de uma carroça"
"um barco sério e sisudo"
"vinho atroz"
Adjectivação que traduz uma intenção humorista "É o desapontamento mais chapado e solene… na minha vida"
"uma leal goela britânica"
"o pescoço entalado na inflexível gravata"
Adjectivação de tipo impressionista "a vista refrigerante de uma jovem seara do Ribatejo"
"o branco terso duro, marmóreo das ruivas"
Diminutivos irónicos "Que cara que fez o marquês a um finadinho que lhe foi…"
"… e veríamos os acídulos versinhos, os destemperados raciocininhos que faziam"
"com uma roseirinha pequenina, bonitinha, que morreu, coitadinha"
Metáforas ousadas e de matiz irónico "A benemérita companhia que tem o exclusivo desses caranguejos de vapor que andam e desandam no rio"
"Uma única vez que vi dos tais olhos verdes, senti abalar-se pelos fundamentos o meu catolicismo"
Superlativo pela repetição "Os olhos de Joaninha… eram verdes-verdes"
"Mas ainda espero melhor todavia, porque o povo, o povo povo, está são"
Repetição da terminação adverbialmente e da copulativa e "A sociedade é materialista; e a literatura, que é a expressão da sociedade, é toda excessivamente e absurdamente e despropositadamente espiritualista"
"Joaninha… lentamente e silenciosamente se retirou para detro de casa"
Sinestesias "a vista refrigerante de uma jovem seara do Ribatejo"
"o branco terso duro, marmóreo das ruivas"
Hipálages "Um príncipe alemão encoberto, forte no soco britânico, imenso em libras estrelinas"
"A guerra parecia cansada"
"subúrbio democrático"
"inflexível gravata"

Características Românticas

Características Modernas