Bocage

Características da poesia de Bocage

Neoclassicismo

Romantismo

Análise de poemas

Magro de olhos azuis, carão moreno

Aspectos biográficos:

Aspectos psicológicos:

Estrutura interna:

Esquema rimático:

Tipos de rima:

Apenas vi do dia a luz brilhante

Aspectos biográficos:

Aspectos psicológicos:

Estrutura interna:

Esquema rimático:

Tipos de rima:

Olha Marília, as flautas dos pastores

Elementos da natureza:

Elementos seleccionados:

Qualidades da natureza:

Adjectivação:

Pontuação:

Funções da linguagem:

Construção do quadro:

Cenário:

Recursos de estilo:

Elementos românticos:

Sentimentos:

Sensações auditivas:

Sensações visuais:

Sensações olfactivas:

"Vê como ali beijando-se os Amores/Incitam nossos ósculos ardentes" - o vocabulário escolhido sugere directamente erotismo.

Importuna Razão, não me persigas

Razão: "Importuna Razão;/ríspida voz que em vão murmura;/(Se a lei de Amor, se a força da ternura,)/Nem domas, nem contrastas, nem mitigas; Se acusas; Se (conhecendo o mal) não dás a cura, encher de pejo."

Amor: "a lei de Amor, a força da ternura; loucura; alma, frágil vítima; carpir, delirar, morrer; o meu desejo"

Vocabulário ligado à luta:

Sentimentos dominantes:

Expressividade da linguagem:

Sobre estas duras, cavernosas fragas

Razão: "Razão feroz, o coração me indagas; De meus erros a sombra esclarecendo,/E vás nele (ai de mim!) palpando, e vendo; Mandas-me não amar; Dizes-me que sossegue"

Amor: "negras paixões n'alma fervendo; De agudas ânsias venenosas chagas; Cego; surdo; Solto gemidos, lágrimas derramo; eu ardo, eu amo; eu peno, eu morro."

Vocabulário ligado à luta: "negras paixões n'alma fervendo; Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo; Dizes-me que sossegue, eu peno, eu morro."

Sentimentos dominantes: Paixão avassaladora; Dor.

O locus horrendus, cenário apropriado ao estado de espírito: "Sobre estas duras, cavernosas fragas/Que o marinho furor vai carcomendo"

Expressividade da linguagem:

A frouxidão no amor é uma ofensa

Todo o poema expressa Amor.

Vocabulário ligado à luta: Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo; Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;

Sentimentos dominantes: Paixão, Dor pelo amor não correspondido com igual intensidade.

Expressividade da linguagem:

Liberdade, onde estás? Quem te demora?

Liberdade: influxo; não raia… a tua aurora?; Da santa redenção é vinda a hora; Oh! Venha… Oh! Venha; Eia! Acode ao mortal; Movam nossos grilhões tua piedade; Nosso númen tu és, e glória, e tudo; Mãe do génio e prazer, oh Liberdade!

Despotismo: e trémulo descaia/Despotismo feroz, que nos devora!; nossos grilhões; frio e mudo,/Oculta o pátrio amor, torce a vontade,/E em fingir, por temor, empenha estudo;

Expressividade da linguagem:

Elementos neoclássicos:

Elementos românticos:

Liberdade querida e suspirada

Liberdade: querida e suspirada; mais serena; face amena; gentil, desterra a pena; Vem, oh deusa imortal, vem, maravilha,/Vem, oh consolação da humanidade; Dos céus descende, pois dos Céus és filha,/Mãe dos prazeres, doce Liberdade!

Despotismo: acérrimo; que geme e brada; esta alma infeliz jaz sepultada; grilhão da adversidade.

Expressividade da linguagem:

Elementos neoclássicos:

Elementos românticos:

Oh retrato da Morte, oh Noite amiga

Testemunha: ocular

Secretária: ouvido

Os fantasmas ocupam o espaço da mente do sujeito poético, como as aves o espaço do ar; os mochos soltam uns sons estranhos e agoirentos.

A relação positiva entre o sujeito poético e a Noite deve-se ao estado de espírito daquele: desiludido e desesperado. Neste estado, só a Noite é o ambiente que se coaduna com a sua sensibilidade.

A substancia fónica do soneto:

A nível morfossintáctico:

A nível semântico:

Meu ser evaporei na lida insana

Vocabulário:

Divisão em partes:

A luz é símbolo da sedução das paixões. Luz está ligada à vida, vivida ao sabor das paixões; sombra está ligada à morte, pois, no fim da vida, reflectindo sobre a mesma, dá-se conta de que essa luz que o seduziu era falsa. Deseja a morte.

As formas verbais ligadas ao passado são acompanhadas pela 1ª. pessoa porque estão directamente ligadas aos passos que o sujeito poético deu. As formas verbais do presente/futuro aparecem na 3ª. pessoa porque exprimem o arrependimento no momento da reflexão; o sujeito poético evita referir a 1ª. pessoa por causa do seu desalento; é uma espécie de aniquilamento do eu para que obtenha a salvação.

Devem salientar-se:

  1. a aliteração dos fonemas /s/ e /p/; a primeira pode sugerir dissipação e a segunda o movimento agitado das paixões;
  2. a repetição da vogal aberta /á/, /é,/ a sugerir a sedução que as paixões exerciam sobre o Poeta;
  3. o ritmo binário pode também sugerir a correria louca do sujeito lírico em busca das paixões.

Relação de oposição, que se verifica no ritmo vivo/lento, no sentido: paixões/arrependimento.

Elementos neoclássicos: a forma poética (o soneto), palavras próximas do latim (insana, mísero, falaz), subordinação, eufemismo, apóstrofes, antítese.

Elementos pré-românticos: o tema do arrependimento, a subjectividade do discurso, a pontuação livre e expressiva.

Já sobre o coche de ébano estrelado

Caracterização da Natureza:

Isolamento do "eu do mundo e comprazimento nesse isolamento: ele está só, só ele não dorme e pede a morte.

Predomínio do desespero, angústia, tristeza, gosto pelo fúnebre e nocturno.

Pede a morte e consola-se por estar naquela natureza lúgubre, antecâmara da morte pela qual anseia.

Já Bocage não sou

Com base na leitura atenta do soneto, podemos afirmar que está presente, e dominante, a tendência Pré-Romântica.

É notório, ao longo do poema, um sentimento pessimista e derrotista, como podemos verificar logo nos primeiros versos: "Já Bocage não sou!… À cova escura/Meu estro vai parar desfeito em vento.". Daí concluimos que o sujeito lírico se enquadra num ambiente tipo locus horrendus, no qual, esse sujeito, em tom confessional e confidencial, revela-nos um quadro de sentimentos tumultuosos, cheios de agonia, próprios do sentir pré-romântico.

Este soneto evidencia um carácter autobiográfico e autocrítico. Primeiramente, o sujeito lírico é-nos dado a conhecer como: "Já Bocage não sou…", o que nos remete logo para a autobiografia e para a autocrítica. Ao assumir-se na primeira pessoa do singular, o "eu" lírico aponta para uma atitude confessional, que se vai tornando declamativa e com uma grande carga emocional, à medida que se percorre o texto.

Atentando nos seguintes versos: "Eu aos céus ultrajei…"; "… vã figura…", "… fez meu intento!"; "Outro Aretino fui!…/A Santidade manchei…", facilmente depreendemos que o sujeito lírico atribui críticas ao seu comportamento e à sua vida, como se estivesse a fazer o balanço final da sua existência.

O poema apresenta-nos uma temporalização que assenta num esquema bipolarizado entre um passado de desafio e ultraje e um presente de desalento e morte.

Seguindo a incursão crítica ao passado e atentando nos versos: "Eu aos céus ultrajei…" ; "… vã figura/… fez meu louco intento!"; "Tivera algum merecimento/se um raio da razão seguisse pura!"; "Que atrás do som fantástico corria"; "Outro Aretino fui… A Santidade manchei…", notamos um evidente inconformismo perante os excessos praticados e os erros cometidos, predominando um sentimento de arrependimento da vida passada. No respeitante ao presente, o sujeito lírico assume as agonias do seu trânsito final: "Já Bocage não sou!… À cova escura/Meu estro vai parar desfeito em vento".

O estado de espírito apresentado remete-nos para o reconhecimento do mal feito: "Conheço agora já quão vã figura/Em prosa e em verso fez meu louco intento!" e, por conseguinte, do arrependimento de tais actos: "Eu me arrependo…".

Em suma, concluimos que Bocage, nesta fase terminal da sua vida, reconcilia-se com os valores morais e sociais que sempre criticou e que lhe causaram tormento e infelicidade.

O presente prenuncia, negativamente, o futuro quer do sujeito lírico "Bocage" quer da sua obra. Adivinha-se a morte física do poeta em: "… À cova escura/Meu estro vai parar…"; "… O meu tormento/Leve me torne… a terra dura"; "… a língua quase fria/Brade…". Contudo a perspectiva de continuidade está presente em: "… crê na Eternidade", não sabemos se da vida, se da sua obra, apesar do imperativo: "Rasga meus versos…".

Em conclusão podemos afirmar que Bocage, neste soneto, pretende mostrar-nos como foi o seu carácter, que percurso fez e que juízo final apresenta de si próprio.

Manuel Maria Barbosa du Bocage cultivou, num período menos conturbado da sua vida, a chamada poesia neoclássica, como pudemos observar aquando da análise do soneto: "Olha, Marília, as flautas dos pastores".

Esta tendência literária primava pelo enquadramento do sujeito lírico num ambiente harmonioso, o chamado locus amoenus, no qual se apregoava a beleza da natureza em todas as suas manifestações.

Os poetas neoclássicos "herdaram" esse gosto pela beleza e pela harmonia da natureza dos poetas latinos, que tanto amavam e pretendiam imitar, procurando dar à poesia o estatuto de verdadeiro deleite e prazer do homem, cultivando a arte da escrita como a representação do real (mimesis).

A Mitologia Pagã, crença religiosa dos clássicos, é adoptada pelos neoclássicos de forma alegórica, de modo a tornar os textos mais próximos da fonte de inspiração clássica.

Assim, nos textos neoclássicos, vamos confrontar-nos com ambientes bucólicos, harmoniosos, maravilhosos, cheios de sensações e sonoridades, que em conjunto formam um quadro de luz, som e cor.